miť, 18 oct

Congresos

Congreso Porto Alegre 2000

O evento foi organizado sob a responsabilidade do CCEPA-Centro Cultural Esp√≠rita de Porto Alegre e realizado nas confort√°veis instala√ß√Ķes do Hotel Embaixador, no centro da Capital ga√ļcha. Participaram 377 congressistas representando, al√©m do Brasil, Argentina, Col√īmbia, Cuba, Estados Unidos, M√©xico, Rep√ļblica Dominicana, Porto Rico, Venezuela, Espanha, Fran√ßa e Austr√°lia.Os trabalhos foram apresentados por seus autores, representantes de diversas tend√™ncias ou vertentes do movimento esp√≠rita, dentro das √°reas tem√°ticas de Epistemologia e Paradigmas, Metodologia, Conte√ļdos Doutrin√°rios e Linguagem, agrupados de acordo com as seguintes modalidades:

Foram, ainda, levadas a efeito duas confer√™ncias p√ļblicas, sess√£o art√≠stica, encontro de jovens, de pesquisadores, de educadores, sess√£o de aut√≥grafos, passeio, jantar e show confraternativos.

Durante o evento , que homenageou a figura de Deolindo Amorim e que teve por Presidente de Honra o Psic√≥logo venezuelano Jon Aizp√ļrua, a CEPA realizou sua Assembl√©ia Geral na qual foi eleito e empossado o advogado brasileiro Milton Rubens Medran Moreira como seu novo presidente. Em raz√£o disso, conforme prev√™ o seu Estatuto, a CEPA ter√° sua sede em Porto Alegre-RS, Brasil, no per√≠odo administrativo de 2000 a 2004. Na mesma Assembl√©ia foram criadas a Comiss√£o para Reforma dos Estatutos, presidida pelo Argentino Hugo Beascochea, a Comiss√£o de Rela√ß√Ķes Internacionais, presidida por Jon Aizpurua, sendo, ainda decidida a realiza√ß√£o, em 2002, na cidade de S√£o Paulo, da XIV Confer√™ncia Regional Esp√≠rita Pan-Americana.

Como era esperado, fortes rea√ß√Ķes opuseram-se ao tema escolhido e √† pr√≥pria realiza√ß√£o do evento que, apesar disso, coroou-se de pleno √™xito, tanto no aspecto organizacional, apesar do amadorismo da equipe, como na abordagem dos conte√ļdos, feita por excelentes expositores de diversos pa√≠ses. √Č de se destacar a participa√ß√£o, dentre os expositores brasileiros, de escritores, l√≠deres, intelectuais e conferencistas representativos de diversos segmentos do nosso movimento esp√≠rita, o que imprimiu um car√°ter singular ao congresso pelo clima fraterno, descontra√≠do, respeitoso, onde as diferen√ßas foram discutidas no campo das id√©ias, contribuindo para a conquista, por parte da CEPA, de novos amigos e simpatizantes.

Era natural que a realiza√ß√£o desse congresso da CEPA no Brasil gerasse repercuss√Ķes contradit√≥rias. Afinal, a CEPA, cujo programa n√£o endossa o modelo vigente no Brasil, norteado pela id√©ia de que o Espiritismo √© uma revela√ß√£o divina e, como tal, acabada e intoc√°vel, √© uma institui√ß√£o cinq√ľenten√°ria reconhecida internacionalmente e cuja expans√£o no Brasil, gra√ßas √† lideran√ßa e ao carisma de seu ent√£o presidente Jon Aizpurua, ocorreu em r√≠timo crescente nos √ļltimos 7 anos.

Os que se demoram na visão evangélico-salvacionista, de um modo geral, apequenam a contribuição dos encarnados no processo da codificação. Admitem, quando muito, que o conhecimento humano tenderá a aproximar-se, gradualmente, da revelação espírita, situada muito acima do progresso atingido pela Humanidade.

Sob essa vis√£o, o pr√≥prio Kardec n√£o passaria de um mero "secret√°rio" dos Esp√≠ritos, encarregado de compilar e publicar suas revela√ß√Ķes. Todavia, quando se examina a contribui√ß√£o do fundador do Espiritismo, percebe-se facilmente que a Doutrina Esp√≠rita tem a marca pessoal do pedagogo, do fil√≥sofo e do cientista que ele foi e que, sem Allan Kardec, o Espiritismo n√£o seria o que √©.

Os √≥rg√£os dirigentes do movimento esp√≠rita, dessa forma, estariam investidos de uma esp√©cie de "mandato divino" e da imposterg√°vel miss√£o de "salvar" ou de orientar a Humanidade. √Č o que se depreende do discurso que predomina no espiritismo religioso.

Ao propor como centro tem√°tico a pergunta "Deve o Espiritismo Atualizar-se?", na I Reuni√£o de Delegados e Amigos da CEPA no Brasil, realizada em S√£o Paulo, em 16.08.97, t√≠nhamos em mente que dever√≠amos ser cautelosos e respons√°veis na organiza√ß√£o do congresso pois n√£o faltaria quem colocasse em d√ļvida a legitimidade da CEPA para tomar tal iniciativa.

Foi em razão disso que a Comissão Organizadora teve o cuidado de inscrever como primeiro objetivo do referido evento "discutir a questão da atualização doutrinária do Espiritismo".

Ora, seria insensatez da CEPA pretender atualizar a Doutrina Esp√≠rita em um congresso √ļnico e por ela patrocinado, embora esse fosse o papel atribu√≠do por Kardec aos congressos esp√≠ritas.

Ademais, a forma interrogativa sob a qual foi colocado o Tema Central n√£o autorizaria ningu√©m a atribuir √† CEPA pretens√Ķes exclusivistas que ela n√£o alimenta. A pergunta era indutora √† reflex√£o e ao debate.

Por outro lado, a CEPA, em todos os momentos, e isso ficou evidenciado no seu Congresso, sempre reafirmou e enalteceu a vigência do pensamento kardequiano, especialmente naquilo em que não houve superação pelos novos conhecimentos do homem.

Na fase que antecedeu o evento, a CEPA teve o cuidado de divulgar um documento intitulado "Declara√ß√£o de Inten√ß√Ķes" com o intuito de prestar esclarecimentos ao movimento esp√≠rita e evitar interpreta√ß√Ķes equivocadas acerca dos seus objetivos.

S√£o justas as preocupa√ß√Ķes que todos alimentamos quando se trata de revis√£o doutrin√°ria. Concordo que n√£o se pode modificar, adulterando, a obra de Kardec, numa viola√ß√£o √† sua autoria. Entretanto, se os seus livros n√£o podem ser alterados, pois expressam o seu pensamento e o dos Esp√≠ritos e refletem o est√°gio de conhecimento e o contexto s√≥cio-cultural de uma √©poca, j√° n√£o se pode dizer o mesmo das id√©ias, teses e concep√ß√Ķes al√≠ contidas e que, por desejo do pr√≥prio fundador do Espiritismo, deveriam acompanhar o Progresso. E esta constante atualiza√ß√£o tem que ser feita pelos homens - os esp√≠ritas de todos os Continentes - com o concurso dos esp√≠ritos (e n√£o somente por estes, como pensam alguns), verdadeiramente comprometidos com a proposta kardequiana. E ouso dizer que tal iniciativa tem que ser nossa e n√£o dos esp√≠ritos desencarnados. Dever√° haver precau√ß√Ķes, obviamente, contra a "pseudo-ci√™ncia", contra o sincretismo, pretendido por alguns setores, com pr√°ticas e doutrinas incompat√≠veis com a proposta esp√≠rita e contra os "novidadeiros" que pululam nos arraiais espiritualistas, com suas teorias esdr√ļxulas e estapaf√ļrdias.

O que a CEPA desejava e conseguiu, foi deflagrar um processo, provocar a discussão, estimular o debate em torno daquilo que considera fundamental para a continuidade do Espiritismo no planeta - a sua atualização.

O fato é que, sem atualizar-se, o Espiritismo perecerá.

Por isso tudo, acredito, sem falsa modéstia, que o evento patrocinado pela CEPA, certamente se constituirá num marco divisor na história do Espiritismo.

Efetivamente se constituiu em um congresso como queria Kardec.

 

Porto Alegre-RS, Brasil

(*) Economista, Presidente da Comiss√£o Organizadora do XVIII Congresso Esp√≠rita Pan-Americano, Secret√°rio Administrativo da Confedera√ß√£o Esp√≠rita Pan-Americana e Diretor de Eventos do Centro Cultural Esp√≠rita de Porto Alegre-CCEPA; foi vice-presidente da Uni√£o Esp√≠rita Paraense, presidente da Uni√£o Distrital Esp√≠rita-Sul de Porto Alegre, presidente do CCEPA, da FERGS-Federa√ß√£o Esp√≠rita do Rio Grande do Sul e da Comiss√£o Organizadora do 4¬ļ Simp√≥sio Brasileiro do Pensamento Esp√≠rita.

Salom√£o Jacob Benchaya (*)

  1. Pain√©is Tem√°ticos ‚Äď que funcionaram no hor√°rio matutino, na forma plen√°ria, constituindo-se de doze (12) temas apresentados por autores convidados especialmente pela Comiss√£o Organizadora;
  2. F√≥rum de Temas Livres ‚Äď que se desenvolveu no hor√°rio vespertino, simultaneamente em quatro salas, num total de trinta (30) exposi√ß√Ķes, constando de trabalhos de autores convidados ou inscritos livremente.